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R. EMERJ, Rio de Janeiro, v. 17, n. 66, p. 16 - 68, set - dez. 2014

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– a relação jurídica

38

. Nicola Picardi

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salienta que o processo como uma re-

lação jurídica de direito público configura uma limitação de natureza “orgâ-

nica”, limita a dinamicidade ínsita à figura do processo como sequencia de

atos concatenados entre si. Para cada relação jurídica do direito material,

deve existir uma relação jurídica de natureza processual.

Qual a consequência de se reputar a execução fiscal como uma re-

lação jurídica?

Desde a racionalidade kantiana, é intuitivo que uma relação jurídica

é uma relação entre dois sujeitos, ou que coloca dois ou mais sujeitos em

posição de observação perante determinado objeto. A lógica da relação

jurídica é “estrutural”: um vínculo

40

+ um objeto + pessoas. Em síntese:

contexto estrutural da relação

jurídica

vínculo estabelecido pela

norma

objeto

mais de um

interessado no

objeto

dimento. O qualificador do processo é a “relação jurídica de direito público”. Bülow joga a realidade das coisas em

uma definição cunhada no direito material, o velho modo de compreender as realidades por uma estática. O autor

refere que a concepção dominante no século XIX, até a sua obra, deixava “predominar o procedimento na definição

do processo, não se descuidando de mostrar a relação processual como a outra parte da concepção”. Qualquer se-

melhança com o sentido inverso dessa moeda não é mera coincidência. Atualmente, a doutrina majoritária devolve

a noção de procedimento como mola propulsora do formalismo processual. O que interessa não é a relação jurídica,

mas o qualificativo dinâmico de um contraditório que qualifica o padrão, a rotina pela qual o procedimento trafega.

"Os fluxos e contrafluxos da ciência." Ver BÜLOW, Oskar.

Teoria das exceções e dos pressupostos processuais.

Trad.

Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003, p. 08. A doutrina de Bülow influencia pelo menos dois séculos de ge-

rações do processo civil, inclusive, ele é denominado o “pai do processo”, o responsável pela separação do processo

em confronto com o direito material. Em precisa reconstrução histórica, Giovanni Tarello salienta que Oscar Bülow

“forse il piú influente processualista del sec. XIX; può considerarsi l’iniziatore della nuova processualística dogmatica;

e certamente rappresenta nel massimo grado le tendenze della cultura giuridica germânica dell’età bismarkiana”.

TARELLO, Giovanni. Il problema della riforma processuale in Italia nel primo quarto del secolo. Per uno Studio della

genesi dottrinale e ideológica del vigente códice italiano di procedura civile.

Dottrine del processo civile

:

studi storici

sulla formazione del diritto processuale civile

. Bologna: Il Mulino, 1989, p. 37.

38 PICARDI, Nicola.

La successione processuale.

Oggetto e limiti. Milano: Giuffrè, 1964, p. 28.

39 Picardi refere que “i fenomeni processuali non si prestano ad essere ricondotti, nel loro complesso, sub specie

di rapporto giuridico. Infatti, se il quid, che lega nello schema del raporto giuridico le posizioni soggettive, va iden-

tificato nel nesso di <correlazione> e se tale nesso, nella sua eccezione più rigorosa, va risolto unicamente nella

coppia dovere-diritto, ne risulta che solo alcune posizioni processuali si prestano ad essere considerate sub specie di

rapporto”. PICARDI, Nicola.

La successione processuale.

Oggetto e limiti. Milano: Giuffrè, 1964, p. 49.

40 O vínculo é definido de maneira prática, por Kelsen, como um elemento sensível que supõe a “forma” que reveste

a “essência/conteúdo” da relação jurídica. KELSEN, Hans.

Teoria pura do direito

. Trad. João Baptista Machado. 8ª ed.

São Paulo: Martins Fontes, 2009, p. 187.