Revista Magistratus - Número 3 - Dezembro 2017
6 Revista Magistratus 2017 A expectativa de vida de um brasileiro é de 75 anos. Entretanto, por causa da homofobia, a população LGBT tem expectativa de vida de ape- nas 35 anos, segundo a pesquisa feita pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) 1 . O estudo informou ainda que, segundo agências internacionais, mais da me- tade dos homicídios de transexuais do mundo ocorre no Brasil. “Matam-se mais homossexuais no Brasil do que nos 13 países do Oriente e da Áfri- ca onde há pena de morte contra os LGBTs”, destacou o relatório. Os números crescem. Segundo o levantamento, no ano 2000, houve Brasil: país que mais mata por homofobia 130 homicídios; em 2010, foram 260 vítimas; e no ano de 2016, 343 pessoas foram assassinadas. O estudo apontou que, no ano de 2016, das 343 pessoas assassinadas, 173 eram gays, 144 eram trans e travestis, 10 eram lésbicas, 4 bissexuais e 12 eram pa- rentes ou amigos de LGBTs. Com base no relatório, 31% des- ses assassinatos foram praticados com arma de fogo e 27% com armas bran- cas, incluindo ainda assassinatos por en- forcamento, pauladas, apedrejamento, sendo muitos crimes cometidos com requintes de crueldade como tortura e queima do corpo. O estudo aponta que “a maioria dos crimes contra travestis são assassinatos a tiro ou espancamen- to nas ruas, enquanto gays são mortos dentro de casa, com objetos domésticos como facas e fios elétricos”. Em relação à idade das vítimas, o Grupo Gay da Bahia informou que pre- dominaram as mortes de LGBTs entre 19 e 30 anos (32%), seguidos dos meno- res de 18 anos, que representam 20,6% das vítimas. “A violência anti-LGBT atinge todas as cores, idades, classes so- ciais e profissões. A vítima mais jovem foi um menor de 10 anos, violentado e espancado até a morte em Curuá, PA”, informou o relatório. Sobre a impunidade, apontou o estudo que “somente em 17% desses homicídios o criminoso foi identificado (60 de 343), e menos de 10% das ocor- rências redundou em abertura de pro- cesso e punição dos assassinos. A impu- nidade estimula novos ataques”. O GGB ressalta que o relatório é feito com base em notícias e informações que chegam ao conhecimento do grupo, e os números são subnotificados, já que faltam estatísticas oficiais do crime. Números de 2017 Segundo o Portal Homofobia Mata**, em outubro de 2017, já havia 355 mortes de LGBTs no Brasil, sendo os estados que lideram o ranking: São Paulo (42 vítimas), Minas Gerais (39), Bahia (29), Rio de Janeiro (24) e Per- nambuco (20). No primeiro quadrimes- tre de 2017, o percentual subiu em 18% em relação àquele registrado durante o mesmo período no ano de 2016. * O Grupo Gay da Bahia é uma organização não gover- namental voltada para a defesa dos direitos dos homos- sexuais no Brasil. O relatório completo pode ser aces- sado pelo link: https://homofobiamata.files.wordpress. com/2017/01/relatc3b3rio-2016-ps.pdf ** www.homofobiamata.wordpress.com Dados do GGB
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