Direito em Movimento - Volume 17 - Número 2 - 2º semestre/2019
66 Direito em Movimento, Rio de Janeiro, v. 17 - n. 2, p. 52-76, 2º sem. 2019 ARTIGOS ves. Desde 2003, a frota nacional aumentou 136,5%; a de automóveis, 102,6%; e a de motocicletas, 269,8% (gráfico 1), principalmente no Nor- deste brasileiro (incremento de 414%), aumentando os conflitos nas ruas e rodovias e, consequentemente, a quantidade de vítimas de trânsito 6 . O veículo automotor, considerado por muitos como local de conforto, passa a ter uma centralidade versada em angústias e dilemas. Contrapesam nas reflexões os consequentes do veículo, visto seu impacto ambiental imer- so ainda em poluentes e em uma política de mobilidade pública que lhe promove a um campo simbólico de ascensão social. A parceria entre o público e o privado no caso dos investimentos em uma política de mobilidade urbana e até mesmo de desenvolvimento do país afiançou às indústrias automobilísticas o papel de “garantidoras” de empregos e propulsoras de estímulos à ocupação de territórios. A ocupa- ção dos subúrbios e regiões afastadas- principalmente pautada na gestão da cidade de forma a que centralidades da vida social dos citadinos sejam dispersas, tal qual escola, casa, trabalho distantes e com rotas de ônibus que não versam pela eficiência dos trajetos – apontam para o desgaste de um modelo que traz consigo esgotamentos. O investimento em rodovias em detrimento das ferrovias equacionou o transporte individual como via de locomoção pela cidade. Mais carros representam o consumo dos excedentes salariais e até mesmo de parte do salário, abocanhado pela gasolina, pela indústria das multas, pela sobreta- xação de impostos e pelas companhias seguradoras, que criam índices rela- cionados ao capital especulativo vinculados a quanto podem ser perigosas e/ou seguras regiões das cidades. Além de acarretar o desenvolvimento de serviços específicos tais como: empresas que mudam o combustível do auto- motor para gás natural veicular; aplicam adesivos em vidros e os blindam; assomadas às mídias audiovisuais, que encantam um universo de simbolis- mos ao “ter umcarro”. 6 IPEA (2015) . Relatório de Pesquisa:Acidentes de Trânsito nas Rodovias Federais Brasileiras: caracterização, tendências e custos para a sociedade. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/
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