ARTE E PALAVRA

70 G ato-do-mato, jaguatirica e irara recebe- ram convite da onça para constituírem a Liga das Nações. – Aliemo-nos e cacemos juntos, repartindo a presa irmãmente, de acordo com os nossos direitos. – Muito bem! – exclamaram os convida- dos – Isso resolve todos os problemas da nossa vida. E sem demora puseram-se a fazer experiên- cias do novo sistema. Corre que corre, cerca daqui, cerca dali, caiu-lhes nas unhas um pobre veado. Diz a onça: – Já que somos quatro, toca a reparti-lo em quatro pedaços: – Ótimo! Repartiu a presa em quatro partes e, toman- do uma, disse: – Cabe a mim este pedaço, como rainha que sou das florestas. Os outros concordaram e a onça retirou sua parte. – Este segundo também me cabe porque me chamo onça. Os sócios entreolharam-se – E este terceiro ainda me pertence de di- reito, visto como sou mais forte do que todos vós. A irara interveio. – Muito bem. Fica com três pedaços, con- cordamos (que remédio!); mas o quarto tem que ser dividido entre nós. Liga das Nações M onteiro L obato – Às ordens! – exclamou a onça. – Aqui está o quarto pedaço às ordens de quem tiver coragem de agarrá-lo. E arreganhando os dentes assentou as patas em cima. Os três companheiros só tinham uma coisa a fazer: meter a cauda entre as pernas.Assim fizeram e sumiram-se, jurando nunca mais entrar em Liga das Nações com onça dentro. – Chega de fábulas, vovó! – disse Pedrinho. – Já estamos empanturrados. A senhora precisa nos dar tempo de digerir tanta sabe- doria popular. Estou com a cabeça cheia de “moralidades”. Dona Benta concordou. Tudo tem conta, e a maior sabedoria da vida é usar e não abusar. Mas querendo saber se tinham aproveitado a lição disse: – Muito bem. Vamos agora ver se perdi meu tempo. Que é que você conclui de tudo isto, Pedrinho?

RkJQdWJsaXNoZXIy NTgyODMz