ARTE E PALAVRA

65 Quem conta um conto aumenta um ponto: Fábulas de Monteiro Lobato 1 1 LOBATO, Monteiro,1882 - 1948. Fábulas e Histórias Diversas / Monteiro Lobato. Obras Completas de Monteiro Lobato / 2ª série, volume 15, 1 - 2ª edição. São Paulo, Editora Brasiliense,1965. E m outubro, mês em que se comemora o Dia das Crianças , o programa Livro Aberto – Encontros com a Literatura , promovido pela Comissão Biblioteca e Cultura da Escola da Ma- gistratura do Estado do Rio de Janeiro, reuniu professores e alunos de escolas municipais do Rio de Janeiro e outros cidadãos para comungarem da alegria do encontro em torno de uma roda de conversa com magistrados, servidores e cola- boradores do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro sobre a obra de um dos maiores e mais queridos escritores da literatura brasileira: Monteiro Lobato (1882-1948). Lobato já era um escritor muito conhecido entre os adultos. Pai de quatro crianças (dois me- ninos e duas meninas), ele se ressentia de não haver histórias brasileiras para contar para seus filhos. Então, às vésperas do Natal de 1920, ele presenteou as crianças brasileiras com o lança- mento de A menina do narizinho arrebitado. Em seu projeto de cultivar o hábito da leitura entre as crianças e formar futuros apreciadores da literatura, Monteiro Lobato não parou mais de es- crever para as crianças e tornou-se com o passar do tempo o mestre dos mestres e influenciador de diversas gerações de leitores e escritores. Quem nunca ouviu falar das “asneirinhas” da espevitada boneca de pano, a famosa Emília, Marquesa de Rabicó; ou das “reinações” de Nari- zinho, a eterna menina do nariz arrebitado; ou de uma aventura de Pedrinho; ou de Dona Benta, a sábia vovó do Sítio do Picapau Amarelo; ou das histórias e dos bolinhos de Tia Nastácia; ou, ain- da, das invenções do Visconde de Sabugosa; e de tantos outros personagens criados pela imagi- nação de Monteiro Lobato, que habitam a nossa memória cultural e afetiva? As fábulas foram criadas há milhares de anos, num tempo anterior à invenção da escrita. Con- tadas de boca a boca e de geração a geração, em diversos cantos do nosso planeta, foram eterniza- das pelo escritor grego Esopo (620 a.C / 564 a.C) e pelo poeta francês La Fontaine (1621/1695), e continuam sendo contadas até hoje. Por que essas histórias que têm como perso- nagens principais bichos que falam, pensam e interagem como os homens sobrevivem e con- tinuam a ser contadas e apreciadas por nós, se- res do século XXI? Talvez seja a forma diverti- da como elas nos fazem pensar sobre o que nos torna humanos. Afinal, o que nos distingue dos outros bichos? Não é pensar? E pensar sobre nós mesmos e sobre o outro ao nosso lado ou distan- te de nós não é importante para o nosso cresci- mento individual e social? Parece que Monteiro Lobato estava pensando sobre isso e outras coisas quando resolveu recontar pela voz de Dona Ben- ta algumas das mais conhecidas fábulas da huma- nidade, todas temperadas pelos comentários dos personagens do Sítio do Picapau Amarelo. A Arte Palavra tem a alegria de publicar nesta edição quatro fábulas: A Cigarra e as Formigas; O Cão e o Lobo; Liga das Nações; e O Lobo e o Cordeiro , apresentadas na tertúlia pelos magistrados Ales- sandra Aleixo, Ana Maria Oliveira e Ricardo An- drade, com direção de Silvia Monte.

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