ARTE E PALAVRA

63 AP: Falando em filhas, você gosta de fotogra- far a família, os amigos? Você fotografa muito na intimidade da sua casa? VL : Sempre. Adoro. Tenho muitas fotos da fa- mília. Além das filhas, fotografo os irmãos, os sobrinhos, os sobrinhos-netos, os amigos. Foto de grupo eu gosto de dirigir. Tenho um grupo de amigas que se encontra todo Natal, sempre na minha casa. Quando é hora de tirar foto, eu dirijo: ( batendo palmas ) “Gente, olhando para a câmera.” “Foco no olho do bicho”. “Olha para a câmera, não conversa, não fala e, se possível, nem respira no momento do clique.” ( risos ) AP: Alguma exposição à vista ou outros planos? VL : O Luiz Braga me indicou uma curadora em São Paulo, e nós já estamos conversando sobre uma exposição. E tenho um plano de começar um curso de fotografia de estúdio com o Luiz Braga. A cabeça da gente tem que estar sempre em movimento. AP: Qual conselho você daria para um jovem fotógrafo? VL : Estudar. Estudar sempre, aprofundar-se, ver bastante fotografia, exposição, estudar Histó- ria da Arte e não ficar limitado a um tipo apenas de fotografia. Educar o olhar. AP: Bem, Vera, queremos te agradecer pela entrevista, pelas fotos e por toda a emoção que elas nos proporcionam. Há uma frase do Se- bastião Salgado que diz: “A vida dos fotógrafos é assim: ir descobrir, conhecer e transmitir”. Suas fotos expressam exatamente isso: você vai, descobre, conhece e transmite. VL : A palavra-chave para mim na fotografia é emoção, mas ela está sempre em movimento. Vera Lage em ação no deserto do Atacama, sendo flagrada pelo clique de um dos seus grandes mestres: Cristiano Xavier

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