ARTE E PALAVRA
53 pra acreditar que a gente noivou há três anos. Pas- sou voando. E vocês? Teobaldo, Teobaldo, não vai enrolar a menina... — Ela é que está me enrolando. Por mim a gente já marcava o casamento. — Eu ainda sou muito nova pra casar. — falou Rosilene. — Minha mãe casou com dezesseis. — respon- deu Teobaldo. — Antigamente as pessoas casavam muito cedo. As coisas mudaram, Teobaldo. — falou Ro- silene. — É bom a gente casar cedo. Eu quero ter três filhos. Mulher velha tem dificuldade de engravi- dar. — falou Teobaldo. — É verdade. — concordou José. — E se eu não quiser ter filhos? — perguntou Rosilene. — Se não quiser ter filhos, procura outro mari- do. Eu quero três. — falou Teobaldo. — A gente ainda tem muito o que conversar antes de decidir casar, Teobaldo. — Conversar o quê? Eu já ganho o suficiente para sustentar a minha família. Você não precisa se preocupar com nada. — A gente precisa falar sobre sonhos de vida, projetos... — falou Rosilene. — Essa menina está vendo muita novela. Só pode. Está vendo o que eu sofro, José? — Amiga, não desperdiça essa oportunidade de casar com Teobaldo. Olha quanta encalhada tem aqui em Nagé. Homem tá difícil. — falou Fer- nanda a Rosilene. As pizzas chegaram. Os dois casais continua- ram papeando e saboreando as pizzas. — Já viram como a lua está linda? — perguntou Fernanda. — Está mesmo. — respondeu Rosilene. — O que vocês vão fazer quando saírem da- qui? — perguntou José. — Não programamos nada. — respondeu Teo- baldo. — Querem ir lá pra casa jogar cartas? — per- guntou José. — Hoje não. Preciso conversar com Teobaldo. — respondeu Rosilene. Teobaldo espantou-se com a resposta dada por sua namorada. — Tudo bem, casal. Boa noite pra vocês. — des- pediu-se José. Os dois casais se despediram. José e Fernanda foram namorar no banquinho da praça, perto do chafariz. Teobaldo levou Rosilene para o pátio da esco- la estadual onde tinha estudado. Havia uma aber- tura lateral, onde ele sabia que conseguiria entrar e não seria incomodado. — Amor... — começou Rosilene. Teobaldo segurou o braço de Rosilene com força. — Que palhaçada é essa? Me fazendo passar vergonha com meus amigos... — Calma, Teobaldo. — Quem tá enfiando essas caraminholas na sua cabeça? Você não era assim... — Eu só queria que a gente conversasse um pouco, falasse dos nossos sonhos... — Sonho é a gente casar e ter três filhos. O que você pode querer mais da vida? Um homem
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