ARTE E PALAVRA

52 A ndréia B orges da S ilva Lua cheia E ra noite de lua cheia. As ruas da cidade estavam iluminadas. Era um dia bom para namorar na cidadezinha de Nagé. Os atrativos da cidade eram a Igreja Matriz e a praça com seu belo chafariz. As famílias frequen- tavam o local, onde compravam churros, pipoca e balão de gás para as crianças. Os casais saíam para comer uma pizza, na única pizzaria local, e depois sentavam em um banco da praça. Rosilene iria completar vinte anos. Havia uma pressão em casa para que se casasse logo com Teobaldo. Ela sonhava em sair de Nagé para estudar. Queria se tornar psicóloga. Teobaldo era gerente de uma loja de ferragens. Dizia que o seu salário já era suficiente para os dois, que não havia necessi- dade de que Rosilene se preocupasse com estudo ou trabalho. Era melhor que ficasse em casa para cuidar das coisas e dos filhos. Os pais de Rosilene também não incentivavam o sonho da filha. — Teobaldo, olha como está linda a lua! — Tá bonita mesmo. Vai querer pizza ou cachorro-quente? — Ah, vamos de pizza. Sentaram-se na pizzaria em uma mesa do lado externo para apreciar a bela noite iluminada. — Amor, já sabe o sabor que você vai querer? — Pode ser quatro queijos? — Vamos pedir metade quatro queijos e me- tade calabresa? — Pode ser. Teobaldo pediu uma cerveja, já Rosilene pre- feriu pedir um suco de uva. — Amor, olha ali quem está chegando: o José e a Fernanda. Rosilene virou-se para olhar. — Fala aí, casal. Querem sentar com a gente? — perguntou Teobaldo. — Fala aí. Tudo beleza? — respondeu José. Fernanda deu dois beijinhos em Rosilene. — Como estão os preparativos pro casório? — perguntou Rosilene a Fernanda. — Já contratamos o buffet . Está tudo bem adian- tado. — E o vestido? Já escolheu? — Ah, essa foi a primeira coisa que fiz. Sempre sonhei em casar com um vestido de princesa. Meu vestido é um sonho! — Que bom que você encontrou o vestido dos seus sonhos. — Vocês vão querer pizza de quê? Eu e Rosi- lene já pedimos metade quatro queijos e metade calabresa. — Eu quero de frango com Catupiry. — respon- deu Fernanda. — Seu pedido é uma ordem, amor. — Então o casamento de vocês já é mês que vem... — indagou Teobaldo. — Pois é... Olha como passou rápido. Nem dá

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